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Ter, Out
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Adrianópolis sobre as estrelas. Foto: Junior Krasota

"Esta é a pacata cidadezinha de Adrianópolis. Cidade tranquila do Interior... Porém aqui, a natureza nos premia com sua exuberante beleza natural, aqui se vive mais perto de Deus, pois pisamos nesse chão sem medo de ser feliz!"

 

“Andamos por este município e vemos sua evolução, seu progresso”.

 

 “É um lugar de paz e, aos 57 anos, já é uma cidade 'madura'”.

 

“Pedimos a Deus que, imbuídos deste espírito, as autoridades de Adrianópolis possam fazer esta cidade continuar crescendo. Adrianópolis é uma cidade, que conta com a sabedoria do povo e com a Mão de Deus para seguir trilhando o caminho do progresso e com esta celebração de aniversário, mais um passo será dado para o futuro”.

 

Vista aerea do Centro de Adrianópolis.
Vista aerea do Centro de Adrianópolis. Foto: Arquivo da Prefeitura Municipal de Adrianópolis.

A Administração Municipal busca o Crescimento Econômico Social combinado com a preservação da qualidade de vida do interior, o que é um privilégio para os seus moradores e um desafio constante para o Prefeito Municipal Alcides Rodrigues Bassete e sua equipe de trabalho.

No entanto, desafios não são problemas para um município que tem História de gente hospitaleira, amiga, habituada ao trabalho duro no Campo e na Zona Urbana. Quem visita Adrianópolis, sai daqui com vontade de retornar. Muitos voltam e fixam moradas e se tornam mais um de nós.

 

Data de Emancipação Político Administrativo:

25 de Julho de 1960.

Centro da Cidade de Adrianópolis/PR- Foto Lúcia Santos.

Acompanhe abaixo a parte Histórica deste Município que completa 57 anos de “Emancipação Político Administrativa no dia 25 de Julho de 2017”

O Município 

O Município possui área total de 1.349 km², está a uma altitude de

154m em relação ao nível do mar e distam 134,90 km da capital do estado. Está localizado na área Metropolitana de Curitiba.

Adrianópolis tem como municípios paranaenses vizinhos: a leste, Cerro Azul; a Sul, Tunas do Paraná e Bocaiúva do Sul. No Estado de São Paulo, os municípios de Ribeira, Itaoca e Iporanga constituem fronteira ao Norte, e Barra do Turvo constitui fronteira a Leste do município.                 

Vista aerea de Adrianópolis. Foto: Arquivo da Prefeitura Municipal de Adrianópolis.

Atividades produtivas:

 

Agricultura (subsistência) Milho, tubérculos, verduras, feijão, banana, mel.
Pecuária: Bovinos, Suínos.
Serviços Artesanais em palha e fibras e industrializados tais como: Rapadura, taiada, doce de laranja, doce de abóbora, farinha de mandioca, apressado, pamonha de milho verde, paçoca de amendoim, paçoca de carnes de Porco socadas no pilão e de frango caipira. Artesanato em palha, em madeira, em cipó, Taboa, bambu, mel e outros.
Extrativismo: Madeira em tora para papel e celulose (Pinus).
Comércio: Lojas, Mercados, Feiras de produtores, padarias e bares.

Leite - COPLAR.

FABRICA DE CIMENTO.

 

Indústria dominante:

 

Produtos minerais não - metálicos.

Produtos alimentares.

Indústria de mineração. Industria Cimenteira

 

População atual Urbana e Rural;

 

Total de Habitantes:

População 2010 

6.376 habitantes.

IBGE-2010

  • POPULAÇÃO URBANA: 2060 HABITANTES.
  • POPULAÇÃO RURAL: 4.316 HABITANTES.

 

IDH(M):

Seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH) é de 0,683 o que lhe atribui a 374º colocação entre as 399 cidades paranaenses. 

 

Formação Administrativa

São encontradas diversas versões sobre o histórico do atual Município de Adrianópolis, sendo que a região é localizada num ponto de passagem, na divisa entre o Estado do Paraná e de São Paulo. Assim, a história de Adrianópolis aqui apresentada utiliza como base a observação de construções históricas e do histórico de ocupação da região como um todo.

Em 1624, foram abertas as primeiras estradas de Bocaiúva do Sul até

Ribeira, passando pela localidade de Epitácio Pessoa, o que deu início à ocupação local. Antes de 1920 estas terras pertenciam ao Estado de São Paulo, após a abertura das estradas as terras se tornaram um distrito de Bocaiúva do Sul.

Epitácio era uma vila composta por casas comerciais, igreja, residências, cartório e delegacia próprios.

Durante a Revolução Paulista de 1924, as tropas abriram uma nova estrada que também passava pelo Distrito de Epitácio Pessoa para o transporte de mercadorias. Esta estrada cruzava as terras pertencentes a Alcides Batista Dias, a fazenda Paranaí. Com a Revolução Getulista, em 1930, a região foi palco de lutas armadas e até hoje é possível encontrar sinais destas lutas ao encontrar fuzis usados na batalha revolucionária.

Foi também na época da Revolução de 1930 que o Distrito teve seu nome modificado, de Epitácio Pessoa, para Paranaí, por motivos políticos. 

Em 1932, utilizou-se a estrada que tinha sido utilizada como rede de ligação para tropas para construir a BR-476, que atualmente liga Adrianópolis a Curitiba.

Pouco tempo depois da construção da estrada, em 1937, uma mina local foi adquirida pelo pioneiro Dr. Adriano SEABRA da Fonseca, a primeira pessoa a instalar uma indústria de mineração no município. Nasceu, então, a Empresa Plumbum S.A, empresa de capital estrangeiro- (Grupo Francês) com uma filial no país. Em 1954, a Plumbum tornou-se uma fonte motora na indústria regional, sendo responsável por maior parte dos empregos registrados na região.

O Distrito de Paranaí foi desmembrado de Bocaiúva do Sul no dia 25 de julho de 1960, pela Lei Estadual n° 4245/60, tornando-se o Município de Adrianópolis, em homenagem ao fundador da Plumbum S.A. Sua instalação ocorreu em 15 de novembro de 1961, quando o primeiro prefeito, Eros Ruppel Abdalla, tomou posse.

Adrianópolis foi incluída na Região Metropolitana de Curitiba em 1995, pela Lei Estadual n° 11.096/95. No mesmo ano, a Plumbum encerrou suas atividades, com o fim do minério, o que causou uma crise econômica no município. Os empregados foram demitidos e muitos abandonaram a cidade em busca de melhores condições de vida. A Vila dos Operários é, até hoje, uma cidade fantasma. Comparando o recenseamento de 1991, antes do fechamento da empresa, e o de 1997, após o fechamento, pode-se notar uma taxa de crescimento de -1,15%.

Porém a expectativa é de que num futuro não muito distante o crescimento demográfico volte a crescer, pois temos expectativas de desenvolvimento sócio  - econômico para o município que deverá ofertar oportunidades de emprego e renda e com isso, muita gente deverá instalar-se  novamente em Adrianópolis.

Sob um enfoque não passadista, mas de valorização do elemento humano, da tradição e da estreita relação de Adrianópolis como tempo presente, a evocação do passado tem aqui o papel de condução explicativa e de reflexão sobre desafios futuros, a fim de prospectar dias melhores para os administradores, profissionais, funcionários e para todo o povo, razão de ser desta cidade nos seus 57 Anos de serviços prestados à sociedade.

 

Adrianópolis nos seus 57 Anos

A IMPORTANCIA DE SE FAZER  um “Resgate Histórico” dos diversos fatos que marcaram essa trajetória desde o início até os dias atuais tem uma razão simples: “História se Registra”. 

Ela nos importa hoje, mas muito mais á futura geração, amanhã.

Sejamos um pouco altruístas e realistas: O que seria da História sem registro? Imaginemos dois extremos: Se nunca tivessem registrado a evolução humana, conquista do espaço pelo homem ao pisar na lua pela primeira vez, a arquitetura o urbanismo, a geologia, a geografia, a agronomia e tantos outros fatos decisivos que ocorreram na História, certamente hoje não teríamos parâmetros, nem história, nem identidade. Que mundo seria o nosso?

É por isso que Adrianópolis precisa ter o seu registro. Por razões simples e ao mesmo tempo complexas. 

Somos nós, Pessoas, sociedade e comunidades, as peças fundamentais neste processo de organizar a construção dessa História no dia - dia. Não há História se estas não forem registradas.

 

Tempos Modernos: Adrianópolis procura demonstrar sua história de forma fiel, um registro honesto e importante do que fomos, do que somos e do que queremos ser, em todos os níveis de cidadania. 

Nas dezenas de páginas desta publicação você vai encontrar registros através de imagens que mostram como o município de Adrianópolis evoluiu em vários sentidos, desde o desenvolvimento social até temas mais específicos, como a acessibilidade

 

Acreditar que nós podemos muito. Nós podemos transformar.  

O Município de Adrianópolis ano a ano, busca caminhos e propostas para que sejamos destaque local, por um Estado e um País melhores. Mas se pensarmos globalmente, por um “Mundo Melhor, mais justo e mais igualitário.”

 

Adrianópolis - Uma Cidade que deu certo!

Adrianópolis é uma Cidade que tem por Unidade Mantenedora o Governo local através da Prefeitura Municipal - atual Prefeito SR: Alcides Rodrigues Bassete "Cid do banco" e vice-prefeito Sr. Vandir veterinário, sendo vinculado ao Governo do Estado do Paraná, e faz parte da Região Metropolitana de Curitiba. O Paraná conta com 399 municípios e todos têm uma história que evidenciam seu valor, porém para nós Adrianopolitenses, Adrianópolis é inigualável! Ninguém em nossa concepção supera a admiração o amor e o respeito que temos por nossa Cidade.

Podemos afirmar que Adrianópolis hoje, é um gigante que oferece grandes possibilidades de desenvolvimento sócio-econômico e por sua vontade de crescer ainda mais! 

Foram mais de cinco décadas de trabalho intenso, para se chegar ao que somos hoje. E estamos dispostos a continuar trabalhando intensamente para alcançarmos os objetivos propostos de forma a concretizá-los para o bem comum da atual e das futuras gerações.

Trabalhos importantes já foram realizados para definir a cara de nossa sociedade e de planejamento integrado para um desenvolvimento mais equilibrado e fundamental para o avanço econômico e social de Adrianópolis. Obras que se diga novamente tiveram a contribuição de profissionais competentes e todos foram essenciais para que isto se concretizasse, porém, nota-se que nos dias atuais, esse desenvolvimento abrangente a atual situação do município, conta com grandes expectativas de um futuro promissor, de desenvolvimento, de comprometimento das autoridades locais e de participação popular, nota-se que o povo, tem acompanhado diretamente esse desenvolvimento tão sonhado. É dessa importância e desse avanço popular que temos orgulho em citar, pois essa é a intenção da Gestão Atual: Trazer para as decisões a participação de todos os seguimentos da sociedade. Entendemos que ninguém caminha ou cresce sozinho. Queremos crescer juntos, conquistar juntos, comemorar juntos todas as benfeitorias.

Sabe-se que com o Fechamento da Empresa de Mineração PLUMBUM S/A no ano de 1995, o Município de Adrianópolis enfrentou uma das piores crises econômicas da época, muitos desafios, pois acabava com o fechamento da empresa que era a maior força econômica do município, famílias inteiras que tinham seu sustento aqui foram  pra outras localidades em busca de trabalho e de sobrevivência, á cada semana saia uma mudança da Vila Operária, “Panelas de Brejaúvas”. A convivência diária com a comunidade que era constante, tudo acabou. Mas o Município continuou sua trajetória com a população que aqui se manteve... (Verdadeiros guerreiros que seguraram com muita garra a desestabilidade econômica da época).

Mineradora Plumbum.
Mineradora Plumbum. Foto: Arquivo Publico Municipal

Hoje, superados esses desafios com muito trabalho, muita vontade de vencer... Temos caminhado bastante, mas os desafios ainda existem! Porém, temos uma característica muito especial que só os que acreditam possuem: - A esperança, a fé e a certeza de que no amanhã haveremos de superar as expectativas, pois é para essa possibilidade que estamos voltados!

Para um futuro promissor, na certeza do pleno desenvolvimento social e humano.

Sabemos que Adrianópolis tem novos caminhos a vencer, mas, apesar das intempéries vividas, conclui-se que essa evolução já é impressionante. Completar 57 anos já é por si só, uma data emblemática, pois representa um marco para nossa História.  Para Adrianópolis, essa idade representa um conjunto de conquistas. 

Pretendemos que Adrianópolis alcance sua total plenitude no cumprimento de sua missão e trabalhamos para que isso aconteça. Assim, sem sombra de dúvidas, somos uma referência para os profissionais e a sociedade que construíram e continuam construindo a Adrianópolis de amanhã.

Esperamos de forma positiva o progresso para toda a nossa população, é pra isso que estamos trabalhando incansavelmente. O objetivo é AVANÇAR sempre e a Meta é VENCER!  Temos propostas para a instalação de Várias Fábricas de cimento no município, dentre elas: Supremo, Votorantim, Plumbum, dentre outras, e com esses empreendimentos concretizados, significa que teremos estabilidade econômica e garantia de qualidade de vida com dignidade, isto é, geração de emprego e renda para toda a população do município e região, fortalecendo o desenvolvimento e o progresso sustentável em Adrianópolis e no Vale do Ribeira. A perspectiva de que teremos um futuro promissor já é realidade e de que seremos a “Capital do Cimento”, é uma certeza!

 

Inovações tecnológicas viram salto em 57 anos de Adrianópolis:

 

Imagine a vida sem internet. As notícias demorariam intermináveis horas para chegar ao seu conhecimento. Ter notícias de um parente ou amigo distante dependeria de uma boa letra sobre o papel da carta que levaria dias para ser entregue ao destinatário, mesmo com toda a eficiência dos correios.

E se também os telefones não existissem com uma conexão instantânea ou a praticidade de levá-los no bolso? E se não houvesse energia elétrica, esgoto, água encanada, estradas pavimentadas ligando todos os bairros á sede ou nossa cidade com a BR476 asfaltada com acesso á Capital e á outras cidades? A gente nem se dá conta, mas não faz tanto tempo assim que nossa vida ficou muito mais fácil...

Voltemos o relógio da História para meados da década de 30. Em Paranaí as inovações tecnológicas chegavam a conta-gotas. Muitas coisas desta natureza talvez tenham sido trazidas na época da Revolução pelo exército em 1930/1932. 

Tecnologia pra muitos que viveram nesse tempo, nesta região, não existia. 

A produção local de modernos e revolucionários aparatos sequer era imaginada. O Estado, espremido entre duas potências políticas, São Paulo e Rio Grande do Sul, se mantinha na pacata e inofensiva cordialidade de ser uma espécie de quintal do vizinho do Norte. As novidades técnicas serviam basicamente para melhorar o desempenho do estado agrícola que ainda não tinha aprendido a andar sozinho.

O que, então, separa aquele “Paranaí Rural” de mais de 57 anos atrás dos dias atuais é impressionante! 

Houve ainda nos últimos anos e ainda há ofertas de cursos de Educação á Distância com Pólo em Adrianópolis através do ITDE, implantação de Tele Centros na sede e em vários bairros inclusive possibilitados na Gestão Atual, que fez inaugurações de vários tele centros em bairros que jamais poderíamos imaginar. 

Hoje em Adrianópolis, sede e bairros, as escolas estaduais, contam com laboratórios de informática. Ficamos felizes com o grande passo que tivemos e com a acessibilidade á maioria das camadas sociais, proporcionando uma infraestrutura física que melhora a qualidade de vida da população e dos estudantes. Até porque, vimos evolução em lugares onde não se podia imaginar que isso seria possível e foi! Sabemos que temos muito ainda o que avançar e vamos avançar! Porque Adrianópolis trilha um caminho planejado e sabe para onde vai e aonde quer chegar!

Sem deixar de falar de uma das maiores obras já realizada nesses 57 anos de história, que foi a pavimentação asfáltica da BR-476 que antes era um caos e hoje incomparável!

 

Vejamos nas imagens abaixo, por exemplo, o antes e o depois da BR-476 que liga Adrianópolis á Curitiba:

BR 476 - Há tempos atrás. Foto: Arquivo.
BR 476 - Há tempos atrás. Foto: Arquivo publico.

 

Situação da BR 476 em tempos de chuva:

Se a situação era assim, nessa época em que as pessoas já tinham carro, e também já podíamos contar com a linha de ônibus da Empresa Cerro Azul que ainda permanece aqui na linha Adrianópolis á Curitiba, imaginem em tempos anteriores a este! Muita gente que necessitou ser hospitalizada por motivo de doenças ou parto perderam  a vida nesta dificuldade toda  e houve até quem nasceu na estrada! Tempos difíceis! Muita gente nossa morreu acreditando e sonhando que um dia essa situação mudaria! E realmente Mudou! Pena que muitos não ficaram pra ver!

Veja abaixo a realidade atual. Depois de muita luta, enfim o asfalto chegou para facilitar a vida de todos!

Mais uma conquista de nossa gente!

Mais um marco importante na história de nossa terra!

BR-476 Asfalto nos dias atuais. Foto: Lúcia Santos.
BR-476 Asfalto nos dias atuais. Foto: Lúcia Santos.

 

SUPREMO SECIL CIMENTO 

Produz Cimento Portland ensacado e a granel e atende toda a região Sul do Brasil, além do estado de São Paulo.

Conta com um rigoroso controle de qualidade e realiza ensaio diariamente em seus produtos, tudo para garantir um cimento de excelente qualidade e rendimento.

A Supremo também se destaca pelo nível de excelência no atendimento, buscando relações mais próximas e duradouras com os parceiros comerciais.

È por essas e outras conquistas que com certeza ainda virão, que Comemoramos com alegria esses 57 Anos de Emancipação Político Administrativo e convidamos  o Povo de Adrianópolis e todos os amigos que como nós aprenderam a amar e respeitar esse lugarzinho tão especial que cativa a todos com suas exuberantes belezas Naturais , com suas características  inigualáveis e inconfundíveis e que nos faz perceber que vivemos no melhor lugar do mundo e que viver aqui não tem preço!

Foto: Reprodução - Supremo Secil Cimentos
Foto: Reprodução - Supremo Secil Cimentos

PARABÉNS ADRIANÓPOLIS!

Parabéns ao nosso povo merecidamente que aqui se instalaram ajudando a construir nossa História!

Parabéns á todas as Autoridades que já lutaram e aqueles que continuam lutando por uma cidade ainda mais fortalecida, sustentável e de sucesso! De forma muito especial, aos seus administradores: 

Sr. Eros Ruppel Abdala - 1° Legislatura;

Sr. Alcy Mello 2° e 4° Legislatura;

Sr. Loiziel Ruppel Bittencourt popular Zuza  - 3° Legislatura;

Sr. Osmar Maia - 5°, 7° e 11° Legislaturas;

Sr. Agertino Milani - 6° Legislatura;

Sr. Teodoro Marques de Oliveira – 8° e 10° Legislaturas;

Sr. José Carlos dos Santos (SUKITA) - 9° Legislatura;

Sr. João Manoel Pampanini - 12° e 13° Legislaturas;

Sr. Alcides Rodrigues Bassete 14° Legislatura.

Totalizando  9 administradores  que com fé e confiança desempenharam um trabalho  em prol do desenvolvimento sócio econômico, acreditando em dias melhores e nas conquistas tão sonhadas por nossa gente!

 

DOCES RECORDAÇÔES DE PARANAÌ- POR JOÃO MARCELO.

 Adrianópolis /PR e Rio Ribeira. 

Episódio 7: Sabores & Aromas

Tenho gravado em minha memória, passagens de minha infância, imagens de lugares e pessoas com as quais tive o privilégio da convivência.

Trago encalacrado em mim, traços e costume, paladares e olfatos, sabores e aromas, os quais eu tenho enorme facilidade na identificação.
De nossos sentidos, ou seja, a visão, a audição, o tato, o olfato e o paladar eu acredito que o paladar e o olfato desenvolvam num constante experimentar. Na minha infância, provei e degustei comidas típicas da região do Vale do Ribeira. Descobri sabores e aromas, doces e salgados.
Na primeira infância, até por volta dos meus sete anos, morando na Plumbum (vila do Alto) lembro bem da merenda escolar, lá no Grupo Escolar AdrianoSeabra  da Fonseca, todos os dias as merendeiras com presteza e dedicação, o alimento, nos ofertavam. Destes , tenho no paladar a sopa de fubá, carregada na cebola e ovos "estalados". Era muito bom!
Lembro com carinho da professora Cida (Aparecida), a qual me acompanhou já na pré-alfabetização. Dedicava sua atenção, como num pré-primário, com atividades motoras de cortar e colar. Veio a ser a professora responsável pela minha alfabetização, já na metodologia da cartilha "Caminho Suave".
Nesta época, fui apresentado a um doce saboroso, oriundo de uma fruta nativa e abundante na região, a banana. Eram maravilhosos, os sonhos fritos e recheados com este doce e envoltos no açúcar com canela.
Já morando na sede do município, ou seja, em Paranaí tive proximidade com muitos sabores e aromas.
Fui contemplado com uma infância livre, típica de uma criança do interior, de uma pequena cidade. Fui de andar "pé no chão", estilingue no pescoço, comer frutas no pé. Não existiam os temores e neuroses atuais.
Esta liberdade proporcionou aventurar e fazer descobertas. Ao chegar ao Carumbé, deparei com uma abundância de frutas, principalmente bananas e goiabas.
Vindo da Plumbum à esquerda, descendo o morro existia a Casa Grande, era assim que a chamávamos. Infelizmente em 2010 quando aí estive só restavam ruinas. Margeando a estrada e morrendo no ribeirão, num formato triangular existia um bananal rico em espécies. Era possível encontrar nanica, ouro, prata, maça e até "da terra". Estas últimas são aquelas cortadas em tiras, as quais fritas, são uma saborosa sobremesa.
Já do outro lado da estrada, ou seja, fazendo fundo para o rio Ribeira no entorno da casa em que morei, havia inúmeras goiabeiras, tanto da branca como vermelha. Desta casa nem vestígios mais existem.
As estadias de minha avó Geralda na fazenda eram um "assoprar no tição e um chamuscar de tacho". Era um fazer doces, de toda e qualquer fruta, que a natureza na sua generosidade ofertasse.
Nestas oportunidades, eu propunha a ajuda-la, mas o mexer constante, o calor e os respingos quentes e grudentos eram incômodos e monótonos, então eu logo desistia.
Minha avó era uma pessoa extremamente organizada. Ela possuía umas "caxetas" de madeira com tampas deslizantes. Estas caixas forradas com papel manteiga acondicionavam os doces preparados.
No final da primavera e início do verão, cruzando o ribeirão Carumbé adentrávamos nas terras do pai da Selma, o senhor Valério Mottin. Margeando e subindo o ribeirão, logo inúmeras e carregadas Jabuticabeiras encontrávamos, estas por informações recebidas, surpreendentemente são existentes e ainda produtivas.
Com a inocência de uma criança, confesso que muitas vezes tal propriedade eu e muitos outros "pias" invadimos e pelos galhos destas Jabuticabeiras muito nos deliciamos.
Os nipônicos cultuam como ritual, a florada da Cerejeira (o Sakura), o qual ocorre sempre em agosto. Então questiono: Seriam mais belas que a florada das Jabuticabeiras? Além de todo o caule e galhos recobertos pelas pequenas flores, no seu tom marfim. Temos o zumbido das abelhas num constante voar, seduzidas pelo néctar a exalar seu agradabilíssimo perfume.
Longe de criar uma polêmica, deixo esta indagação e que cada um, posicione como quiser.
Chegando à Barra Grande tomando a bifurcação para o Descampado e Epitácio, logo à frente e a direita, dando fundo para o ribeirão, existia o sítio de "seo" Natalino. Tive a oportunidade de perceber e presenciar a exuberância daquele sítio, o qual era um verdadeiro pomar, com muitas frutas, hortaliças e legumes.
Pela estrada do Descampado muito passei. Na aurora do amanhecer, ainda sem o sol apontar no horizonte e a brisa da manhã no rosto a bater, junto de meu pai Zé Waldir e alguns camaradas, de trator seguíamos para a fazenda Santa Bárbara. Era outra propriedade de meu avô, usada na invernada de bezerros desmamados.
Era a última propriedade de uma estradinha, ao chegar deparávamos com um riachinho afluente do Ribeirão Grande. Imediatamente antes e a direita, próximo da estrada via se o estábulo e a casa do João Lica, moço bacana, prestativo e amicíssimo de meu pai. Ao retornarmos para o vale do Paraíba, o João Lica foi o adquirente destas terras, anexando as suas já existentes.
Na fazenda Santa Bárbara existiam alguns pés de Mexericas, eram de fruto grande e de casaca grossa, rugosa e verdolenga, mas de um sabor inquestionável.
Quando estavam formalizando o cooperativismo, embrião e origem da Cooperativa de Laticínio, meu pai muito andou pelos sertões e comunidades rurais. Quando eu tinha oportunidade, adorava acompanha-lo.
Numa destas oportunidades estivemos na cidade de Itaoca, tomamos a balsa para cruzar o Ribeira. O balseiro num esforço braçal de puxar fazia movimentar as carretilhas suspensas sobre o cabo de aço, como uma tirolesa fosse. Assim como resultante vetorial das componentes das forças, os flutuadores da balsa deslizavam sobre as águas vencendo e alcançando a outra margem.
Lá em Itaoca tivemos na casa do "seo" Alberto, o qual conjuntamente com seu irmão Manuel, tornaria os responsáveis pela coleta diária do leite até a câmara fria na fazenda Carumbé, e na madrugada seguinte transportariam para a Cooperativa em Curitiba. Foram verdadeiros desbravadores.
Nesta época o "seo" Alberto fabricava queijos. Ao chegarmos a sua casa deparamos dependurados no teto, girais similares a defumadores. Estes suportavam muitos queijos no processo de cura, era do tipo "Cabaça". Degustamos um formidável "meia cura" de cascas grossa e interior tenro.
Tenho Itaoca como cenário de outra passagem, uma visita ao futuro proprietário do Carumbé, o Januário Trannin. Em sua fazenda chegamos já no crepúsculo.
A casa sede era um majestoso sobrado pintado na cor rosa. Ao seu redor existia um enorme terreiro calçado. Destes utilizados para secar grãos, como o café e o feijão. Logo algo chamou minha atenção, num canto e na borda do terreiro jazia a carcaça de um caminhãozinho calhambeque. Não me contive e a ele me dirigi e já sentado na cabine, flutuei em imaginação.
Anexo a casa existia uma enorme cozinha, nesta oportunidade degustei costelinha de porco frita envolta na farinha de milho e também torresmo.
Já noite alta ao retornar, na barranca do rio deparamos com a balsa apoitada na outra margem. Foi um relampejar de farol e berros a ecoar. Enquanto a balsa em nossa direção sobre o rio deslizava, na luz do luar o Ribeira nos brindava, com suas águas como espelho refletindo o bailar das nuvens soltas ao vento.

Episódio8: O Aparteador

 Como morador em fazenda, tive poucas oportunidades de "pegar no batente", abraçar a"lida". Naturalmente era trabalho bastante pesado para uma criança. Mesmo assim quando convocado, não fugia da briga, gostava e ajudava de bom grado.

Destas convocações, a atividade que mais me agradava era apartar bezerros.

Ao entardecer os bezerros eram retirados dos piquetes, onde após a ordenha eram mantidos. Então recolhidos no curral, ficavam em área coberta até a aurora seguinte, quando nova ordenha iniciava.

O processo de ordenha exigia critério e uma sequência lógica a seguir, era achamada "ordem de ordenha". A destreza do aparteador estava em conhecer cada bezerro e conforme o nome da vaca, pelos camaradas era "cantado", liberar sua correspondente cria para então esta ordenha iniciar.

Nestes momentos pude observar situações as quais me impressionaram, a força dos laços afetivos de um animal e sua cria. Bezerros de dias, com o cordão umbilical á secar e ainda num andar vacilante, pelo olfato e ou pela sonoridade do berro,entre dezenas de vacas sua mãe logo identificava.

Tempos depois passei a entender o propósito da "ordem de ordenha". O objetivo era manter um mix homogêneo do leite, coletado em cada tambor. Considerava aí: o período lactante de cada animal, a capacidade produtiva em volume e o índice de gordura.

No laticínio em Curitiba, cada tambor de leite era analisado e classificado com base no índice de gordura contida. Isto determinava a qualidade do leite,portanto o valor a ser pago ao correspondente produtor.

Neste relato, não poderia deixar de lembrar-se dos camaradas, os quais na fazenda,muito ajudaram meu pai. Destes destaco em especial, o "seo" Alcides e o ZéÂngelo. Pessoas simples, as quais combinavam com a atmosfera desta terra. Eram pessoas responsáveis, determinadas e imbuídas de propósitos. Tentarei descrever um pouco as características e valores de cada um:

O "seo" Alcides era o braço direito de meu pai, era o coordenador na ordenha, com atenção a todos os procedimentos que o leite exigia. Sua filha Maria veio trabalhar em casa,moça de temperamento forte, organizada e caprichosa. Com certeza com valores adquiridos e herdados de seu pai.

Minha mãe como professora dava aula em dois períodos, não tinha muito foco nos afazeres da casa. Ela alegrava e surpreendia em ver a casa tão bem cuidada. Alimpeza do assoalho, panos de prato alvejados numa brancura total. Nos quartos as sapateiras feitas de sacos, dependuradas atrás das portas, sempre lavadas,limpas. Nestas repousavam pares de sapatos, rigorosamente ordenados e limpos.Minha mãe sempre dizia "a dona da casa é a Maria".

O Zé Ângelo era "pau pra toda obra", encarava as atribuições delegadas. Quando veio trabalhar na fazenda, omitiu não saber nada da "lida" com animais.

Nos primeiros dias de trabalho, uma vaca perdida e desgarrada pelos pastos montanha acima ficou. Lá foi o Zé Ângelo no lombo do cavalo tordilho manga larga,chamado Guarani. Pensativo e no sacolejar a vaca foi buscar. Passado algum tempo, mais adaptado e seguro no manejo diário, ao meu pai o ocorrido confessou.

Quando do nosso retorno em definitivo aqui para o leste paulista, sei que o Dr Oto o"seo" Alcides para a Plumbum levou. Já o Zé Ângelo na prefeitura deAdrianópolis foi trabalhar.

Saibam os dois e ou seus descendentes que o "seo" Waldir, meu pai, dedica a vocês um especial apreço, sempre relembrando fatos.

Ficam aí fragmentos de um cotidiano vivido...

 

Episódio 5: Carumbé, um ribeirão...

Ribeirão por vezes de águas escuras, conseqüência da varredura das águas ao longo de seu curso, abraçando a mata, beijando árvores e retirando das margens todo o material orgânico sedimentado. Em outras de águas barrentas, denunciando a ocorrência de fortes chuvas serra acima, sobre sua cabeceira e afluentes.

Ribeirão de águas cantantes, seixos rolantes. De corredeiras rasas com um espumar prateado, processo natural de aeração, oxigenando suas águas e potencializando a vida.

Pelos pastos da fazenda Carumbé muitas trilhas existiam, conseqüência de uma das características natural do homem, a mobilidade. Algumas destas obstruídas e interrompidas pelo ribeirão. Assim, pelo seu leito presenciei a manifestação e o exercício da criatividade se opondo e vencendo adversidades.

O Caboclo na sua simplicidade e rudez, sem saber intuitivamente aplicava a Engenharia.

Na oferenda da natureza, escolhiam sabiamente árvores de caule único. Normalmente escolhia a árvore ideal, o Guapiruvú. Num esforço braçal, após o corte arrastavam estas torras, posicionando-as na transversal sobre o leito e entre bordas do ribeirão.

Pronto! A continuidade das trilhas estava assegurada. Estava também construída uma "pinguela", é assim que são conhecidos estes artifícios de transposição.

Algumas destas "pinguelas" apresentavam certo grau de sofisticação. Para maior segurança e conforto continham também balaústres e corrimão. Tudo firmemente solidário e bem amarrado com cipó.

Não sei precisar em qual período do ano, ao entardecer pelas trilhas que margeavam o leito do Carumbé dezenas de pessoas, homens e mulheres, adultos e crianças para a barra deste ribeirão dirigiam-se.

Distribuídos pelos barrancos, ou mesmo com água pelas canelas, todos lançavam suas varas de pescar ou mesmo linhadas de mão, era um constante capturar de Lambaris e "Cadelas". Assim chamavam uma espécie de Lambari, que na linha da espinha até a calda apresentavam uma coloração avermelhada e na boca muitos dentes.

Isto emoldurado pela montanha de mata virgem avistada na outra margem do Ribeira, com rugidos de macacos a ouvir. No oeste o sol a deitar, refletindo um espectro dourado sobre as águas.

 

Episódio 6: O Poço...

Indistintamente o Carumbé com suas águas ofertava a todos. Em seu curso, numa constância paciente e natural criava e recriava praias, remansos e poços. Destes imagino o "poço da ponte" ser o principal.

Era uma piscina natural. Um espaço de lazer onde todos tinham acesso era só chegar e usufruir.

Ali nas tardes de domingo, sobre o sol de verão a alegria pairava pelo ar. O burburinho, o falar das pessoas dava uma alegre sonoridade ao ambiente. Eram pessoas banhando o corpo e refestelando se no refrigério das águas. O semblante das pessoas demonstrava um bem estar, um renascimento para a nova semana com seus afazeres e preocupações enfrentar.

A consciência do bem coletivo ali era exercitada. Cada qual ao seu modo, sem normas ou regras, contribuía para manter o dique de pedras, responsável pela contenção das águas.

Quem sobre a ponte do alto olhava, podia observar seixos empilhados numa geometria livre, descrevendo uma linha sinuosa emergindo a superfície, interligando as margens e naturalmente represando as águas.

Alguns metros abaixo, carros e caminhões disputando espaços sobre as águas. Seus proprietários com canecas e baldes nas mãos a lava- los.

Nestas águas muito me banhei e brinquei, pude conhecer pessoas, observar comportamentos e características.

Lembro-me de um rapaz chamado Odair, que ao entardecer ao poço vinha se banhar. Com peculiar trejeito possuía um estilo de nadar nada clássico. Era um puxar com as mãos e bater simultaneamente com os dois pés sobre a superfície d'água, projetando seu corpo à frente em solavancos. Tal conduta espirava água a uma altura considerável, atingindo pessoas que lá no alto, do gradil da ponte observava.

Em certas ocasiões, num quase engatinhar, contra a correnteza ele subia o ribeirão, tateando as barrancas argilosas de suas margens.

Das tocas encontradas, com as mãos capturava um peixe de aparência feia, quase pré-histórica. Eram os Cascudos. Num sorriso de satisfação dizia: "um belo ensopado será feito".

O que vou relatar a seguir pode parecer "conversa de pescador", mas acreditem! É verdade verdadeira.

Meu avô ao planejar seu retorno aqui para a cidade de Mogi das Cruzes tinha por hábito alguns rituais, entre estes no Carumbé seu carro lavar. Numa destas oportunidades meu tio Josemir, a pedido de meu avô, com a Kombi para as águas do Carumbé rumou.

Como de costume, no meio do ribeirão parou. Águas em corredeiras, com seu nível no meio das rodas a bater. Portas abertas, tapetes de borracha retirados, lavados e na barranca sobre arbustos a secar.

A porta lateral do compartimento de passageiros, com suas folhas duplas escancaradas, engoliam uma fina lamina d'água que estendia sobre e por todo assoalho corrugado.

Após muito bater água, esfregar e ensaboar a lavagem chegava ao seu final. Agora era retirar o carro das águas. Alguns metros no seco em suave aclive era observar o escorrer, o molhar do chão, dando ao saibro uma coloração forte alaranjada.

Na madrugada seguinte meu avô partiu. Chegando aqui, na atribulação e no muito fazer, após dois ou três dias decide a Kombi lavar. Passado algumas horas, Kombi lavada era hora de no posto buscá-la. Lá chegando, todos queriam saber por onde aquela Kombi andou.

Desconfiado e curioso pela indagação, ele explicou que no vale do Ribeira, na cidade de Adrianópolis esteve. A seguir aparece um lavador com um balde nas mãos a mostrar, um Cascudo vivo na água a nadar.

INSTANTES DE UMA INFÃNCIA POR JOÃO MARCELO FERRAZ DE CAMPOS.

A região do "Vale do Ribeira" esteve no foco das Forças Armadas. Após o golpe militar de 1964, organizações de guerrilha armada de extrema-esquerda, buscaram estabelecer e instalar nesta região bases de treinamento militar e de difusão das teorias marxista.

O serviço de inteligência das Forças Armadas identificou o Vale do Ribeira como sendo uma das regiões para a instalação destas bases e centro de treinamento de guerrilheiros. Isto, após a prissão de integrantes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), na cidade do Rio de Janeiro, incluindo integrantes do comando nacional.

Em abril de 1969, o capitão Lamarca já na condição de desertor do Exercíto Brasileiro e como lider da VPR se instala no sertão próximo ao vilarejo de Barra do Areado. Na caça aos guerrilheiros, as Forças Armadas tomam o vale do Ribeira, executam comandos e bloqueiam estradas. Houve confrontos nas barreiras e comandos montados em Eldorado Paulista e Sete Barras. Ocorreram mortes, feridos e aprisionados.

A busca pelos guerrilheiros se intensificava, novos comandos nas estradas obrigam a se embrenhar pelas matas. Por vezes tentaram descer a algum povoado para comprar comida, mas eram denunciados. Emboscados, o rompimento final do cerco se deu 41 dias depois do início do mesmo.

Em 31 de maio, famintos e cansados o grupo resolveu tentar a sorte na estrada. Alguns tomam o ônibus da linha Sete Barras-São Miguel sem ser incomodados. Outros incluindo Lamarca resolvem parar qualquer veículo que viesse pela estrada e tomá-lo. O primeiro a aparecer foi justamente um caminhão do Exército. Seus ocupantes, cinco soldados foram rendidos. O grupo agora vestidos com os uniformes da patrulha, seguem até darem com a última barreira perto de Taquaral. Sem maiores averiguações, a barreira foi aberta.

Naquela mesma noite, os guerrilheiros abandonavam o veículo na Marginal Tietê na cidade de São Paulo, com os soldados prisioneiros dentro. Lamarca e seus homens tinham escapado da maior mobilização da história do II Exército.

Perseguido por mais de dois anos pelos militares, Lamarca foi localizado e morto no interior da Bahia em 17 de setembro de 1971.

Este episódio recente da história nacional teve reflexo em Paranaí. Lembro que tivemos por pelo menos duas oportunidades, o Exercíto efetuando manobras e exercícios no município.

Para a localidade esta movimentação era um evento, pois quebrava a rotina cadenciada no compasso do tempo. Imagine para uma criança que tudo é novidade, ter a oportunidade de defrontar com um cenário militar, visualizando barracas de campana, equipamentos bélicos como metralhadoras, Jeeps e caminhões além dos próprios soldados com suas fardas e adereços.

O Comando Militar pela localização estratégica, fixava sua Base de Operações na entrada da cidade, exatamente na bifurcação Curitiba/ Plumbum/ Paranaí.

Sentido cidade à esquerda e no pé do "morro da antena" existia uma solitária e típica casa "sulista". Destas de taboas a prumo, frestas arrematadas por ripas e apoiada sobre pilares de tijolos. Apresentava um telhado com forte inclinação e também sotão. Suas paredes eram caiadas num rosa queimado e portas e janelas num verde escuro. Nestas ocasiões o Comando Militar dela se apossava, armando suas barracas e tendas no seu entorno. Salvo engano seu proprietário era o avô do Délcio Lara.

Neste período eu meus irmãos Zé Waldir e Bárbara tinhamos como diversão arrumar cestas de fruta e também garrafas de leite, coisas abundantes na fazenda, para ao passar pela barreira militar ofertar aos soldados.

Intuitivamante era o exercício da diplomacia, da política da boa vizinhança. Acredito que este comportamento estava empregnado no ar, era uma caracterítica local. A carência de recursos, a dificuldade de acesso desenvolveu no povo um senso de ajuda mútua, um solidarismo diferenciado.

Após este gesto de acolhida, sempre que aproximavamos tinhamos passagem livre.

Os soldados na maioria eram recrutas, jovens no exercício do alistamento militar obrigatório, com certeza não tinham convicções políticas e ou ideológicas. Isto remete a minha adolecência, década de 80, época que o movimento sindical operário foi intenso. Entre as músicas hino, tinha: Para Não Dizer Que Não Falei das Flores, onde em uma estrofe diz:

"Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer" (Geraldo Vandré)

Assim como chegavam, após algumas semanas como trupe mambembe partiam. Paranaí em sua rotina voltava.

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